Prefácio

A erosão do solo é um dos maiores desafios ambientais do século XXI. Estima-se que 24 bilhões de toneladas de solo fértil sejam perdidas anualmente em todo o mundo, com consequências diretas na segurança alimentar, nos recursos hídricos e na biodiversidade. Em regiões tropicais, a combinação de chuvas intensas, solos profundamente intemperizados e pressão antrópica agrava esse cenário.

A bioengenharia de solos (entendida como o uso de materiais vivos e biodegradáveis combinados a técnicas de engenharia) oferece uma resposta a esse desafio. Diferentemente das soluções exclusivamente estruturais, a bioengenharia busca a transição progressiva de uma função mecânica artificial para uma função ecológica natural, de modo que, à medida que os materiais se degradam, as raízes das plantas assumem o papel de sustentação do solo.

Este livro nasceu da experiência acumulada em mais de uma década de pesquisa e extensão no Baixo São Francisco (SE/AL) e nos Tabuleiros Costeiros do Nordeste brasileiro. A convivência com agricultores familiares, comunidades ribeirinhas e técnicos de campo me ensinou que as melhores soluções são aquelas que combinam rigor científico, viabilidade econômica e apropriação social.

Ao longo dos capítulos, o leitor encontrará equações e modelos de dimensionamento aplicáveis a condições tropicais, estudos de caso de campo com dados reais de monitoramento, comparativos de custo entre soluções convencionais e baseadas na natureza, e inovações tecnológicas em materiais biodegradáveis protegidos por patentes.

Agradeço aos colegas do grupo de pesquisa PLANeT-Inova (UEFS), do Gerenciamento Hidroambiental do Baixo São Francisco (UFS) e do Manejo de Solos e Sustentabilidade (UFS) pelas colaborações que enriqueceram este trabalho.

Luiz Diego Vidal Santos
Feira de Santana, Bahia
Fevereiro de 2026