Prefácio
O Brasil é uma potência agrícola mundial, com o agronegócio respondendo por cerca de 27% do PIB e empregando milhões de pessoas ao longo de cadeias produtivas que vão da porteira para dentro até os mercados internacionais. Contudo, quando se examina a proteção da propriedade intelectual nesse setor, emerge um paradoxo inquietante entre a capacidade de produção e a fragilidade da proteção do conhecimento que a sustenta.
Esse paradoxo não é trivial. A ausência de estratégias de PI no agronegócio brasileiro resulta em perda de valor agregado, vulnerabilidade competitiva e apropriação indevida de saberes tradicionais por agentes externos. Em um cenário global no qual ativos intangíveis superam os tangíveis na composição do valor das empresas, ignorar a PI é abrir mão de competitividade, soberania tecnológica e oportunidades de desenvolvimento territorial.
Este livro nasceu da convergência entre minha formação em Engenharia Agronômica, o doutorado em Propriedade Intelectual e Inovação (PROFNIT/UFS) e mais de uma década de pesquisa aplicada em soluções baseadas na natureza para o Semiárido brasileiro. A experiência de depositar patentes de bioinsumos e geotêxteis biodegradáveis, de conduzir prospecção tecnológica em bases internacionais e de orientar estudantes na interface entre inovação e agronegócio convenceu-me de que a formação em PI é tão essencial para o engenheiro agrônomo quanto o conhecimento em solos ou fitossanidade.
Ao longo dos capítulos, o leitor encontrará os fundamentos jurídico-econômicos da PI aplicados à realidade agrícola brasileira, métodos de valoração de ativos intangíveis e prospecção tecnológica, estudos de caso envolvendo patentes, indicações geográficas, cultivares e segredos industriais, além de discussões sobre as fronteiras tecnológicas da agricultura digital e as oportunidades de empreendedorismo que emergem nos NITs e spin-offs acadêmicas.
Agradeço aos colegas do grupo de pesquisa PLANeT-Inova (UEFS), ao Programa de Pós-Graduação em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação (PROFNIT/UFS) e aos produtores, extensionistas e estudantes que enriqueceram este trabalho com suas perguntas, dilemas e soluções criativas.
Luiz Diego Vidal Santos
Feira de Santana, Bahia
Fevereiro de 2026