Prefácio

Quando comecei a trabalhar com extensão rural e a observar de perto a realidade dos produtores brasileiros, percebi algo que me incomodava profundamente: centenas de propriedades produziam alimentos de qualidade excepcional — frutas saborosas, cafés especiais, cacau de terroir, queijos artesanais, mel puro, carnes de pastagem — mas eram remuneradas como se fossem commodities genéricas.

O café de uma microrregião com microclima único era vendido pelo mesmo preço do café convencional. O queijo artesanal maturado por meses era trocado na feira por valores que mal cobriam o custo de produção. A fruta cultivada com técnicas sustentáveis era pesada na balança junto com as demais, sem qualquer distinção.

O problema nunca foi a qualidade. O problema era a invisibilidade da marca.

Esses produtores não tinham uma estratégia de marca. Não que fossem incapazes — ao contrário, demonstravam diariamente uma capacidade extraordinária de resolver problemas complexos. Acontece que ninguém os havia apresentado ao branding como ferramenta de gestão. O branding era tratado como algo sofisticado demais, coisa de grandes corporações, inacessível ao produtor rural.

Este livro desafia essa visão. Branding não é privilégio de multinacionais. É uma forma de pensar e gerir o negócio que pode ser aplicada por qualquer produtor, cooperativa ou agroindústria, independentemente do porte.

Ao longo destes capítulos, traduzo os conceitos e metodologias de gestão de marcas para o contexto real do agronegócio brasileiro. Cada ferramenta é acompanhada de exemplos rurais, cada conceito é ancorado na realidade do campo. O objetivo não é transformar produtores em publicitários, mas empoderar quem produz para que também saiba construir valor percebido ao redor daquilo que produz.

O agro brasileiro já é protagonista na produção. Está na hora de ser protagonista também na construção de marcas.

Luiz Diego Vidal Santos
Feira de Santana, fevereiro de 2026