Plano de Disciplina — Sociologia Rural
PLANO DE DISCIPLINA
EMENTA: Sociologia rural no Brasil: atores, temas e objetos de estudo; organização social da agricultura familiar; políticas públicas para o meio rural; novas ruralidades e multifuncionalidade da agricultura; paradigmas do desenvolvimento rural; capitalismo no campo e modernização conservadora; movimentos sociais do campo e reforma agrária; comunicação de massa e publicidade rural; direitos humanos no campo; diversidade étnico-racial e povos tradicionais.
OBJETIVO: Capacitar o(a) discente a compreender criticamente a estrutura social agrária brasileira, os processos de transformação do meio rural e as relações entre atores sociais, políticas públicas e dinâmicas produtivas, desenvolvendo uma visão humanística e socialmente comprometida para a atuação profissional no campo.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
Compreender os fundamentos teóricos da sociologia rural e suas vertentes no contexto brasileiro.
Analisar a organização social da agricultura familiar: lógicas produtivas, pluriatividade e estratégias de reprodução social.
Discutir as políticas públicas para o meio rural (PRONAF, PAA, PNAE, política fundiária) e seus impactos.
Compreender as novas ruralidades, a multifuncionalidade da agricultura e os processos de revalorização do campo.
Analisar os paradigmas do desenvolvimento rural e suas implicações para a sustentabilidade.
Discutir o capitalismo no campo, a modernização conservadora e os conflitos fundiários.
Compreender os movimentos sociais do campo, a reforma agrária e os assentamentos rurais.
Analisar as relações entre comunicação de massa, publicidade e o mundo rural.
Debater questões de direitos humanos no campo e diversidade étnico-racial de povos e comunidades tradicionais.
HABILIDADES E COMPETÊNCIAS: Ao final da disciplina, o(a) discente deverá estar apto(a) a analisar criticamente a realidade social do meio rural brasileiro, reconhecer a diversidade de atores e lógicas produtivas no campo, avaliar políticas públicas e seus impactos sobre comunidades rurais, debater questões de justiça social, direitos humanos e diversidade no contexto agrário, e articular saberes sociológicos na prática profissional do(a) engenheiro(a) agrônomo(a), contribuindo para uma atuação ética, inclusiva e comprometida com o desenvolvimento rural sustentável.
METODOLOGIA: A disciplina será desenvolvida ao longo de 10 encontros semanais. As atividades combinarão exposição dialogada, leitura e discussão de textos clássicos e contemporâneos, análise de documentários, debates estruturados, estudos de caso e seminários temáticos.
A disciplina valoriza a participação ativa, o pensamento crítico e a construção coletiva do conhecimento. Os textos de referência serão disponibilizados em formato digital, e os debates serão orientados por roteiros de discussão e questões problematizadoras.
FORMAS DE AVALIAÇÃO: O processo avaliativo contemplará instrumentos teóricos e práticos:
1ª Avaliação (Teórica — Individual): prova presencial com questões objetivas e discursivas, abrangendo sociologia rural, agricultura familiar, políticas públicas, novas ruralidades e desenvolvimento rural.
2ª Avaliação (Seminário — Em grupo): apresentação e debate sobre tema selecionado (capitalismo no campo, movimentos sociais, comunicação rural, direitos humanos ou diversidade étnico-racial).
3ª Avaliação (Ensaio Crítico — Individual): elaboração de ensaio reflexivo articulando conteúdos da disciplina com a realidade agrária regional/local.
Avaliação Contínua: participação nos debates, fichamentos de leitura e entregas ao longo do semestre.
Cada avaliação terá valor máximo de 10,0 pontos e a média final será calculada pela média aritmética simples.
PROGRAMA DO COMPONENTE CURRICULAR
O componente curricular será desenvolvido em 10 encontros. O programa articula fundamentos teóricos da sociologia rural com análise crítica de políticas públicas, movimentos sociais, direitos humanos e diversidade no campo brasileiro.
Sociologia Rural no Brasil (aula 01)
Atores, temas, objetos de estudo e vertentes teóricas.
Sociologia rural clássica e contemporânea; especificidades do caso brasileiro.
Organização Social da Agricultura Familiar (aula 02)
Lógicas produtivas, pluriatividade e estratégias de reprodução social.
Agricultura familiar vs. agricultura patronal: conceitos e marcos legais.
Políticas Públicas para o Meio Rural (aula 03)
Agendas, institucionalização e implementação: PRONAF, PAA, PNAE.
Política fundiária, crédito rural e seguro agrícola.
Novas Ruralidades e Revalorização do Campo (aula 04)
Multifuncionalidade da agricultura; turismo rural; agroecologia; patrimônio cultural.
Novos atores, pluriatividade e a transição rural-urbana.
Desenvolvimento Rural (aula 05)
Paradigmas clássicos e contemporâneos; desenvolvimento local e territorial.
Sustentabilidade e suas dimensões (ambiental, social, econômica, cultural).
Capitalismo no Campo (aula 06)
Modernização conservadora; agronegócio e concentração fundiária.
Conflitos fundiários, desigualdade e questão agrária contemporânea.
Movimentos Sociais do Campo (aula 07)
MST, Via Campesina, sindicalismo rural; lutas por terra e território.
Reforma agrária, assentamentos rurais e experiências organizativas.
Comunicação de Massa e Publicidade Rural (aula 08)
Rádio, TV, redes sociais e sua influência no mundo rural.
Representação do rural na mídia; publicidade e consumo.
Direitos Humanos no Campo (aula 09)
Trabalho escravo contemporâneo; violência no campo; acesso à terra.
Marcos normativos e mecanismos de proteção.
Diversidade Étnico-Racial (aula 10)
Povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais.
Direitos territoriais, racismo ambiental e políticas de reconhecimento.
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
Quadro 1 — Conteúdo programático por aula de Sociologia Rural.
| SEMANA | AULA | ASSUNTOS PREVISTOS |
|---|---|---|
| 1ª | 01 | Sociologia Rural no Brasil: atores, temas, objetos de estudo e vertentes teóricas. |
| 2ª | 02 | Organização Social da Agricultura Familiar: lógicas produtivas, pluriatividade e estratégias. |
| 3ª | 03 | Políticas Públicas para o Meio Rural: agendas, institucionalização e implementação. |
| 4ª | 04 | Novas Ruralidades: multifuncionalidade, turismo rural, agroecologia, patrimônio cultural. |
| 5ª | 05 | Desenvolvimento Rural: paradigmas, desenvolvimento local, sustentabilidade. |
| 6ª | 06 | Capitalismo no Campo: modernização conservadora, agronegócio, conflitos fundiários. |
| 7ª | 07 | Movimentos Sociais do Campo: MST, Via Campesina, sindicalismo rural, lutas por terra. |
| 8ª | 08 | Comunicação de Massa e Publicidade Rural: rádio, TV, redes sociais, influência. |
| 9ª | 09 | Direitos Humanos no Campo: trabalho escravo, violência, acesso à terra. |
| 10ª | 10 | Diversidade Étnico-Racial: povos indígenas, quilombolas, agricultores(as) tradicionais. |
Observação: Disciplina de formação crítica e humanística para o curso de Agronomia, com debates sobre estrutura social agrária brasileira.
SIGNIFICADO DO COMPONENTE CURRICULAR PARA FORMAÇÃO PROFISSIONAL
O componente curricular Sociologia Rural é essencial para a formação humanística e crítica do(a) engenheiro(a) agrônomo(a), por oferecer instrumentos teóricos e analíticos para compreender a complexidade social do mundo rural brasileiro. A atuação profissional no campo exige mais do que competência técnica — demanda sensibilidade para as relações sociais, respeito à diversidade cultural e compromisso com a justiça social.
A disciplina contribui para formar profissionais capazes de dialogar com diferentes atores sociais (agricultores familiares, povos tradicionais, movimentos sociais, agentes públicos), compreender os processos históricos de transformação do campo e avaliar criticamente as políticas e os modelos de desenvolvimento rural. Essa perspectiva é indispensável para uma prática agronômica ética, inclusiva e orientada ao desenvolvimento rural sustentável.
REFERÊNCIAS
Básica
- WANDERLEY, Maria de Nazareth Baudel. O mundo rural como um espaço de vida: reflexões sobre a propriedade da terra, agricultura familiar e ruralidade. Porto Alegre: UFRGS, 2009.
- SCHNEIDER, Sergio. A pluriatividade na agricultura familiar. 2. ed. Porto Alegre: UFRGS, 2009.
- ABRAMOVAY, Ricardo. Paradigmas do capitalismo agrário em questão. 3. ed. São Paulo: Edusp, 2007.
- MARTINS, José de Souza. Os camponeses e a política no Brasil: as lutas sociais no campo e seu lugar no processo político. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 1995.
- FERNANDES, Bernardo Mançano. A formação do MST no Brasil. Petrópolis: Vozes, 2000.
Complementar
- VEIGA, José Eli da. O desenvolvimento agrícola: uma visão histórica. 2. ed. São Paulo: Edusp, 2007.
- DELGADO, Guilherme Costa. Do capital financeiro na agricultura à economia do agronegócio: mudanças cíclicas em meio século (1965-2012). Porto Alegre: UFRGS, 2012.
- PLOEG, Jan Douwe van der. Camponeses e impérios alimentares: lutas por autonomia e sustentabilidade na era da globalização. Porto Alegre: UFRGS, 2008.
- LITTLE, Paul E. Territórios sociais e povos tradicionais no Brasil: por uma antropologia da territorialidade. Série Antropologia, n. 322. Brasília: UnB, 2002.
- CARNEIRO, Maria José. Ruralidades contemporâneas: modos de viver e pensar o rural na sociedade brasileira. Rio de Janeiro: Mauad X/FAPERJ, 2012.